Cantar essa era um desafio...

15 anos atrás, mais precisamente às 19h20min,
nascia Rian Lucas, meu primogênito.
Há 15 anos... como passa...

Rosto de ti...

Tenho uma solidão
tão concorrida
tão cheia de nostalgias
e de rostos teus
de adeuses faz tempo
e beijos bem vindos
de primeiras de troca
e de último vagão.
Tenho uma solidão
tão concorrida
que posso organizá-la
como uma procissão
por cores
tamanhos
e promessas
por época
por tato e sabor.
Sem um tremer de mais
me abraço a tuas ausências
que assistem e me assistem
com meu rosto de ti.
Estou cheio de sombras
de noites e desejos
de risos e de alguma maldição
Meus hóspedes concorrem
concorrem como sonhos
com seus rancores novos
sua falta de candura
eu lhe ponho uma vassoura
atrás da porta
porque quero estar só
com meu rosto de ti.
Porém o rosto de ti
olha a outra parte
com seus olhos de amor
que já não amam
como vives
que buscam a sua fome
olham e olham
e apagar a jornada.
As paredes se vão
fica a noite
as nostalgias se vão
não fica nada.
Já meu rosto de ti
fecha os olhos.
E é uma solidão
tão desolada.
Mário Benedetti

O rogo

Senhor, Senhor, faz já tanto tempo, um dia
Sonhei um amor como jamais pudera
Sonhá-lo ninguém, algum, amor que fora
A vida toda, toda a poesia…

E passava o inverno e não vinha,
E passava também a primavera,
E o verão de novo persistia,
E o outono me encontrava em minha espera.

Senhor, Senhor; minhas costas estão desnudas.
Faça estalar ali, com mão rude,
O açoite que sangra aos perversos!

Que está a tarde já sobre minha vida,
E esta paixão ardente e desmedida,
A hei perdido, Senhor, fazendo versos!



Alfonsina Storni
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

Uma música linda...



Eu te amo - Composição: Tom Jobim / Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
...
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
...
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
...
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
...
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
...
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
...
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

Soneto XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

Soneto XLIV

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.
Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.
Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.
Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.
Pablo Neruda

Coração Couraça

Porque te tenho e não
porque te penso
porque a noite está de olhos abertos
porque a noite passa e digo amor
porque vieste a recolher tua imagem
porque és melhor que todas tuas imagens
porque és linda desde o pé até a alma
porque és boa desde a alma a mim
porque te escondes doce no orgulho
pequena e doce
coração couraça
porque és minha
porque não és minha
porque te olho e morro
e pior que morro
se não te olho amor
se não te olho
porque tu sempre existes onde quer que seja
porém existes melhor onde te quero
porque tua boca é sangue
e tens frio
tenho que te amar amor
tenho que te amar
ainda que esta ferida doa como dois
ainda que busque e não te encontre
e ainda que
a noite pese e eu te tenha
e não
Mário Benedetti

Nada é por acaso...


Quando vi o arquivo no pc com o nome "Entre por essa porta", a mente viajou... Eu entrei. No início pensei ser apenas um arquivo de músicas cifradas. Mas não era. E meus olhos foram enchendo de água. Linha por linha, eu fui lendo o que sempre esperei ouvir. O que sempre soube. O que sempre cantei. O que sempre senti. As palavras de um sentimento que aumenta, ou revigora-se, há 16 anos. Hoje, e como em todos os dias 22 de outubro desses 16 anos, sinto a vontade de te dizer que você É A MULHER DA MINHA VIDA e que com você QUERO VIVER ATÉ O MEU ÚLTIMO SUSPIRO. Muitos não entendem. Outros condenam. Alguns invejam. São oito fragmentos de músicas que eu poderia perfeitamente ter montado. Talvez com algumas músicas a mais. Eu procurava algo para postar nesta data. Alguma coisa que mostrasse ao mundo o que significa essa palavra, ESSE SENTIMENTO, que nos une de forma tão intensa. Que nos faz cúmplices de uma louca e bela história. Que nos faz ser o que somos.
QUANDO NÃO ESTÁS AQUI, SINTO FALTA DE MIM MESMO E SINTO FALTA DO MEU CORPO JUNTO AO TEU. QUANDO NÃO ESTÁS AQUI, TENHO MEDO DE MIM MESMO E SINTO FALTA DO TEU CORPO JUNTO AO MEU. QUANDO NÃO ESTÁS AQUI, MEU ESPÍRITO SE PERDE, VOA LONGE, LONGE...

Uma resposta, duas músicas, o mesmo sentimento

Uma carta.. oito músicas... um sentimento

Entre por essa porta agora, e diga que me adora, você tem meia hora pra mudar minha vida... Só porque meu coração dispara, quando tem o seu cheiro, dentro de um livro... Aí eu me desespero e ando pelo mundo, divertindo gente e chorando... ao telefone... E quando ando pelo mundo... meus amigos cadê??? Meu amor cadê você, eu acordei, não tem ninguém ao lado... Por isso agora a porta está trancada, para todos os gritos, para todas as mentiras... Mas eu pulo a janela, será que eu estou trancada aqui dentro??? Será que você está trancado lá fora??? Pois sem você... sem você... nem o tempo me faz companhia, o silêncio dessas horas frias são palavras que não sei dizer... Pois hoje eu queria te encontrar de qualquer jeito... Pra te abraçar... e ouvir qualquer palavra sua... ou qualquer frase exagerada que me faça sentir VIVA... Hoje, preciso de você... com qualquer sorriso... hoje, só tua presença vai me deixar feliz... SÓ HOJE... Porque sabe aqueles dias em que horas dizem nada... e você nem troca o pijama e preferia estar na cama... pois é... Sem poder nada fazer, sem que tento me vencer e acabar com a mudez...mas na verdade nada esconde essa timidez... eu carrego comigo a grande agonia... de dizer... SÓ VOCÊ... SÓ VOCÊ... QUE CONHECE MEU JEITO DE SENTIR... MEU JEITO DE SORRIR E ATÉ MEU JEITO DE CHORAR... SÓ VOCÊ ME CONHECE AMOR... SÓ VOCÊ SABE BEM QUEM SOU... Por isso fecho os olhos pra não ver passar o tempo... Sinto falta de você... Sem você não sei viver... Então vem, que eu conto os dias e contas as horas pra te ver... Eu não consigo te esquecer... Então vem...que nos teus braços esse amor e uma canção... EU NÃO VOU SABER ME ACOSTUMAR... SEM SUAS MÃOS PRA ME ACALMAR, SEM SEU OLHAR PRA ME ENTENDER... SEM SEU CARINHO AMOR... SEM VOCÊ... VEM ME TIRAR DA SOLIDÃO... FAZER FELIZ MEU CORAÇÃO... JÁ NÃO IMPORTA QUEM ERROU... O QUE PASSOU... PASSOU...

A ponte

Para cruzá-la ou não cruzá-la
eis a ponte

na outra margem alguém me espera
com um pêssego e um país

trago comigo oferendas desusadas
entre elas um guarda-chuva de umbigo de madeira
um livro com os pânicos em branco
e um violão que não sei abraçar

venho com as faces da insônia
os lenços do mar e das pazes
os tímidos cartazes da dor
as liturgias do beijo e da sombra

nunca trouxe tanta coisa
nunca vim com tão pouco

eis a ponte
para cruzá-la ou não cruzá-la
e eu vou cruzar
sem prevenções

na outra margem alguém me espera
com um pêssego e um país

Mário Benedetti

A hora íntima

Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: – Nunca fez mal...
Quem, bêbedo, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: – Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: – Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: – Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: – Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?

Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Vinicius de Moraes

Sossega, coração...



Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solene pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa

Quero

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade

Visite o blog da Anna...

É, meus amigos, às vezes a vida nos dá duros golpes. Muitos se dão por vencidos por qualquer acontecimento. Outros, vão à luta. Não desistem. Hoje recebi um e-mail da querida Tacianne, de Recife/Olinda. Ela e seus amigos estão realizando uma corrente para ajudar sua amiga Anna Reithler, que luta contra o lupus numa condição rara, como ela mesma menciona na carta que transcrevo abaixo. Sei que não podemos resolver todos os problemas da humanidade. Mas sempre podemos fazer alguma coisa, por menor que seja. Então, por que não fazer?
Abraços


Para saber sobre LUPUS, CLIQUE AQUI!
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Amigos,

Alguns de vocês já devem saber da existência de uma amiga querida que luta contra o lupus numa condição muito rara.

Neste momento, em especial, ela está com as mamas necrosadas, decorrentes de tentativas e cirurgias anteriores que não obtiveram sucesso. Necessita cirurgia e prótese especial. É uma luta diária, inclusive jurídica, por medicamentos e liberação de tratamento junto ao plano de saúde, mas tudo num ritmo muito difente da necessidade real.

Criamos um blog com objetivo de divulgar um pouco desta história e agora também serve para falar de 3 rifas que estão acontecendo. Você escolhe entre uma TV, um Quadro ou Microondas para transferir o respectivo valor para a conta corrente dela e encaminha seu nome e telefone para anareithler@yahoo.com.br para que concorra.

Comprando uma rifa de apenas R$5 ou R$10 ou mesmo divulgando o blog para outros amigos você pode ajudar muito!

Clique neste link  http://amigosdeanna.blogspot.com/  e conheça um pouco mais e dados de como ajudar. É verdade, sério e urgente pois a cirurgia precisa acontecer o mais breve possível. 

Um grande abraço e muito obrigada!!!
Taci

Vem andar comigo...

O que eu também não entendo

Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Prá que você possa entender
O que eu também não entendo...

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém
É perfeito prá ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir...

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender...

Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo...

Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Tô aprendendo também...
Jota Quest

Amor Perfeito

Fecho os olhos pra não ver passar o tempo
Sinto falta de você...
Anjo bom, amor perfeito no meu peito
Sem você não sei viver
Então vem...
Que eu conto os dias, conto as horas pra te ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você...
Os segundos vão passando lentamente
Não tem hora pra chegar
Até quando te querendo,te amando
Coração quer te encontrar
Então vem...
Que nos teus braços esse amor é uma canção
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você...
...
(**) Eu não vou saber me acostumar
Sem suas mãos pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender
Sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão,
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou
Então vem, vem, vem...
Roberto Carlos
(**) Nem eu, nem você

A mulher que passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontravas se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como cortiça
E tem raízes como a fumaça.


Vinícius de Moraes

A AUSENTE

Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar
em mim
Como
no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...
Vinicius de Moraes

Hoje é Drummond...

Os ombros suportam o mundo 
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. 
Tempo de absoluta depuração. 
Tempo em que não se diz mais: meu amor. 
Porque o amor resultou inútil. 
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho. 
E o coração está seco. 

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. 
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, 
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. 
És todo certeza, já não sabes sofrer. 
E nada esperas de teus amigos. 

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? 
Teus ombros suportam o mundo 
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios 
provam apenas que a vida prossegue 
e nem todos se libertaram ainda. 
Alguns, achando bárbaro o espetáculo 
prefeririam (os delicados) morrer. 
Chegou um tempo em que não adianta morrer. 
Chegou um tempo que a vida é uma ordem. 
Carlos Drummond de Andrade

Tem gente...

Tem gente querendo mandar mensagens
Onde a sintonia tem outra dimensão
Tem gente querendo competir
Onde não há competição
Tem gente querendo ocupar corações
Onde o sentimento é imutável
Tem gente querendo marcar território
Onde as cercas são de liberdade
Tem gente perdendo seu tempo
Onde o tempo é senhor da razão
Tem gente apostando em desencontros
Onde o encontro é eternamente o inevitável
Tem gente querendo vitória
Onde já existe vencedor

Selo de Qualidade - Eu indico!










É isso ai galera! Ganhei este selo (e repasso) do blog .::Anacronica::. Da amiga Keli Wolinger. E para a brincadeira não parar indico mais alguns amigos.
Grato desde já pela indicação, abaixo as regras:


1. EXIBA A IMAGEM DO SELO "OLHA QUE BLOG MANEIRO"
2. POSTE O LINK QUE TE INDICOU
3. INDIQUE PESSOAS DE SUA PREFERÊNCIA
4. AVISE SEUS INDICADOS
5. PUBLIQUE AS REGRAS
6. CONFIRA SE OS BLOGS INDICADOS REPASSARAM OS SELOS E AS REGRAS

Eu indico:

Abraços...