Poema de Lula 2

Rendeu a declaração do presidente.
Quem veio de família operária, classes C, D, E ..., assim como nosso querido Lula, entendeu perfeitamente o que ele quis dizer. “Brancos e de olhos azuis (ou claros)” sempre foi referência para americanos e europeus. Eu cresci escutando referências como essa.

Mas de quem é culpa pela crise mundial do capitalismo?
Para mim, é dos grandes grupos financeiros internacionais, dos países ricos - localizados na parte superior do globo - de quem sempre se rogou o direito supremo de decidir sobre o futuro da humanidade, especialmente os residentes na parte inferior do globo - índios, pretos e pobres. Toda essa história de papéis podres, quebra de banco, especulação imobiliária, todo esse mecanismo capitalista não é operado por quem só vende sua força de trabalho (e muito mal pago, na maioria dos casos). Portanto, sem culpa alguma pela crise.

Mas é importante lembrar que quem sofreu historicamente com as crises do capitalismo sempre foram os países pobres e em desenvolvimento. Sendo assim, Lula só quis chamar a atenção daqueles que “pareciam que sabiam de tudo, e que agora demonstram saber nada”, para que tomem providências. Chega de pagarmos a conta pela ganância e da exploração de poucos. Ah, mas ainda tem o racismo. Racismo? Não. Ele não inferiorizou etnias ou pregou superioridade de raça, nem incitou o ódio ou necessidade do extermínio dos culpados.

O presidente fala ao seu povo e ao mundo de maneira igual. Mesmo falando ao mundo quer que seu povo saiba o que ele está falando. Mas tenho a convicção que, antes de tudo, Lula expressa em suas polêmicas frases um sentimento classista, de pertencimento e identificação muito fortes com sua origem. E talvez seja isso que mantenha sua popularidade em alta.

Teu riso...

Neruda
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar,
mas não me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito brota da tua alegria,
a repentina onda de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas as portas da vida.

Meu amor,
nos momentos mais escuros
solta o teu riso
e se de súbito vires que o meu sangue
mancha as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como a flor que esperava,
a flor azul, a rosa da minha pátria sonora.

Ri-te da noite, do dia, da lua,
ri-te das ruas tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro rapaz que te ama,
mas quando abro os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

...
Pablo

Poema de Lula...

Não vejo mal estar algum na declaração do presidente.
Nem racismo, como alguns sugerem.
Aos ouvidos da massa, isso é poesia.
Pelo menos pra mim é.


Canto para Oxalá...

Oni saurê
Aul axé
Oni saurê
Oberioman
Onisa aurê
aul axé baba
onisa aurê
oberioman
Onisa aurê

Baba saurê
aul axé
Baba saurê
oberioman
Baba saurê
aul axé baba
oberioman
saul axé

Man man man
Man man man
Man man man
Man man man

Rita Ribeiro
Canção Ioruba

Você por perto...

Eu queria transcrever o que sinto,
pressinto que não fique tão bom assim...
Eu queria compartilhar tantas coisas,
distribuir e entender olhares...
Passear em tantas partes,
como faço algumas vezes sem sair daqui...
Eu queria encontrar algo bem bonito,
que traduzisse todo o meu carinho...
E, entre tantas coisas que eu quereria,
o bom seria você por perto...
Você aqui.

Tacianne Vaninne

Nada é impossível de mudar...

Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo,
o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.

Bertolt Brecht

Quero assim...


...
De todas as coisas...
as simples,
porém plenas.
De todas as cores...
as vivas,
porém indeléveis.
De todos os amores...
os inesquecíveis,
porém sinceros.
De todas as virtudes...
as necessárias,
porém inabaláveis.
...

O que é...

É absurdo
diz a Razão

É o que é
diz o Amor

É só desgraça
diz a Medida
É pura dor

diz o Medo
É sem esperança

diz o Juízo
É o que é
diz o Amor
É ridículo
diz o Orgulho
É imprudente
diz a Cautela
É impossível
diz a Experiência
É o que é
diz o Amor


Erich Fried
Tradução: Flávio Aguiar
(Colaboração de Zinka Ziebell e Jorge de Almeida).
Extraido do site da Agência Carta Maior

Dia Internacional da Mulher


Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,

é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece

com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

Ao amor antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede.
Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,

feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona

aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém,
nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.

Mais triste? Não.
Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade