A pizza e as demissões na Câmara

O episódio envolvendo o vereador João José Marçal (PP) é mais uma demonstração, entre outras tão ou mais absurdas, de como é ultrajante o comportamento de muitos dos “nossos” representantes.

O “nobre” edil Marçal ameaçou servidores públicos – que apenas estavam exercendo suas funções – chantageou o presidente do Seterb, o Sr. Rudolf Clebesch – proferiu “lindas palavras e mensagens” que nenhuma criança merece ouvir - tudo para liberar uma van de transporte escolar de um simpatizante que estava em situação irregular.

Quando esperamos uma resposta da classe política que ajude a remover do cenário pessoas que usam de seus cargos públicos para obter vantagens e outras quirelas à margem da lei e da ética, ela aumenta a insatisfação.

Após a bancada do PT pedir providências cabíveis que o fato merece, os vereadores da situação começaram a emitir sinais de que iriam abafar o caso. Exemplo disso foi a interpretação feita do pedido de providências cabíveis do vereador Vanderlei de Oliveira (PT), de que não havia tipificação da infração cometida, ou coisa parecida. O áudio existe, foi confirmado pelo próprio vereador Marçal. Inclusive disse que "ele era assim e não iria mudar". Nele, as inúmeras barbaridades proferidas que não condizem com a prática da representação da vontade do povo. Então, que se tomem as providências cabíveis.

O
parecer da Câmara diz que Marçal deve apenas pedir desculpas e pronto. Tudo resolvido.

Querendo mostrar sua indignação, alguns jovens – incluindo dois assessores de Vanderlei – levam uma pizza de calabrezza para o plenário. Na divisão dos pedaços, até o vereador Jovino (DEM) pôde degustar daquela simbologia da indignação que ele mesmo ajudou a produzir.

Mas a mesa diretora e o diretor geral da câmara - Sr. Lúcio César Botelho – não gostaram do protesto democrático e pacífico. Resolveram mostrar que é possível aumentar o grau de insatisfação popular e demitiram os dois assessores que participaram do protesto. Uma atitude nada democrática pois a nomeação da assessoria de vereador é oficializada por um ato administrativo da mesa da câmara, mas é feita a partir de indicação do vereador. É assim em todas as casas legislativas.

Mas não. O momento era de brincar de Roberto Justus e demitir os dois jovens assessores. Afinal, toda a metralhadora verborrágica que o Sr. Marçal usou para liberar uma van irregular pode, comer um pedaço da indignação, não pode. E não tem desculpa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário