Debate ambiental

Hoje foi um dia daqueles, de reencontrar camaradas e fazer o bom debate. Um momento para discutir teses, posicionamentos políticos, reorganizar as idéias para enfrentarmos a dinâmica de nosso mundo real. E todos que estavam presentes tinham algo em comum: partiam de uma orientação marxista de entendimento de sociedade. Coube a mim a tarefa de fazer a abertura sobre o tema “Elementos para uma crítica sócio-ambiental radical”. O documento aponta para a reflexão que faço abaixo, que por sinal, é também a minha posição.
A partir da década de 70 a intelectualidade burguesa começa a se posicionar sobre o tema ambiental. Os debates fazem emergir uma onda de preocupações ambientais com contornos mundiais. Desde os pronunciamentos do Clube de Roma, passando pela Eco-92 e, mais recentemente, a Agenda 21, os ambientalistas e ecologistas apontam para a necessidade de atitudes radicais que garantam a sobrevivência de nossa geração e das futuras. E para isso, toda e qualquer iniciativa de governos que tenda à intervenção na natureza são imediatamente condenadas.
Penso que só podemos teorizar os problemas da seca no nordeste, por exemplo, se dermos um significado humano a ela. E se assim é, há razão de dizer que o problema deles não é de seca, mas de cerca. A raiz do problema está na apropriação privada da terra e dos recursos tecnológicos existentes. É muito fácil criticar e ser contra a transposição do Rio São Francisco pelo forte impacto ambiental que esta causará. Assim também na construção de usinas hidrelétricas. Mas estes mesmos intelectuais não se propõem a apontar soluções para os problemas de bilhões de seres humanos que não têm casa, transporte, comida, energia elétrica, água tratada e emprego. Necessidades básicas de todo ser humano. Não é justo que uma elite minoritária se utilize dos avanços tecnológicos, do supérfluo, da exploração desenfreada das riquezas naturais e da grande maioria da população mundial durante décadas, séculos, e queira que os trabalhadores, os famintos, os descamisados, os sem terra e teto, paguem a fatura. Antes de tudo, devemos perguntar à que se destina a construção de uma usina elétrica. A quem servirá a transposição do rio São Francisco, por exemplo. Os documentos apresentados por estes intelectuais apontam para a regressão tecnológica e do modo de vida. Durante anos, a elite branca do hemisfério norte - como citou Lula – explorou e espoliou os povos e os países do hemisfério sul. Se fossemos dar conta de construir casas para 1 bilhão de pessoas que não possuem moradia, precisaríamos construir 250 milhões de casa. Isso tem impacto na natureza. Tem sim. Se quiséssemos fazer o país crescer e gerar emprego, teríamos que aumentar nossa capacidade de produção de energia. O que quero dizer é que temos que ter a preocupação ambiental. Mas precisamos também resolver os problemas de nossa espécie - explorada e humilhada - que vive em condições precárias e/ou subumanas. Não é justo que este povo continue a pagar uma conta que não é deles, que não foram eles que produziram.
Qual a posição a ser tomada frente aos apelos dos ambientalistas – representantes dos interesses da burguesia, na sua maioria - e a constatação de que nosso planeta não suporta mais o atual estágio de degradação?
A solução para os problemas criados pela sociedade capitalista é a apropriação coletiva dos meios de produção e da produção gerada socialmente. As necessidades básicas de consumo da burguesia não são as mesmas da classe trabalhadora
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