Aquilo que ela gostaria de saber...

- Ei, calma... Estou sentindo aqui desse lado. Você está buscando algo num lugar que não irás encontrar. Você não consegue ver as coisas, cores e gostos que desejas. Tentas, desesperadamente, encontrar uma forma de esquecer, de superar, de negar o sentimento. Quanto mais lutas, mais te desesperas. Quanto mais jogas, mais incertezas aparecem. A saudade do carinho, do afeto, da compreensão, combinado com a teimosia, a intempestividade, e a cobrança por resolutividade, faz você decidir sem ter vontade de fazê-lo, buscando a distância por imposição do medo, do mundo, dos que te são próximos. E quando a noite cai, ou o dia amanhece, ou quando a música toca, a vontade contida não passa. O coração grita, a mente enlouquece, a saudade aparece, e de novo a direção é mostrada. O coração quer ansioso o contato, o toque, o beijo, os sons que confortam e acalmam o seu coração. Os três, que são parte de ti, demonstram a alegria e a satisfação desta vontade reprimida. Quando olhas para eles, me vês eternizado. E essa vontade aumenta. A ansiedade e a procura por anestésicos – que lhe possibilite uma possível superação – fazem surgir novos elementos que aumentam a complexidade da situação. E como o medo, o desespero, a angústia, as vontades e desejos, e as experiências realizadas não deram conta de nada do que procuras, de novo o coração aponta a direção. Para quê negar? Para quê sofrer? E já tomada por essa ausência interior, por ações não desejadas, o corpo expressa as dores da alma. E você adoece. Do nada. Bem quando parece que a decisão foi a mais acertada. Você fica frágil, mais dolorida, mais carente, e com necessidade urgente de ser cuidada, sossegada. Querendo os braços, os abraços, o colo que te faz sentir completa. Esqueces, vez e outra, é que tenho o mesmo sentimento por ti. Sinto tudo que passas, sentes e vês. Aquele mesmo sentimento que insistentemente tentas renunciar, mas não consegues. O que talvez não saibas é como consigo assimilar todos esses acontecimentos – de certa forma planejados como uma estratégia para resolver por outros métodos – e que empiricamente deveriam causar estragos irreparáveis. Mas não, e isso também lhe confunde. E as certezas que havias escolhido como o caminho ideal se vão por água a baixo. Bobagem, meu coração toma a forma que a sua alma necessita. Sente as tuas dores. Se já tinha o tamanho exato que abriga complemente seu coração, a cada situação ele ajusta-se ao tamanho que necessitas. Entende a situação. É paciente. Tolerante. Compreensivo. Conhece bem seu jeito de sentir. E está à espera do teu sinal para buscá-la. E te ajudar a caminhar por esta vida. Eu sei o que nos espera. Vem buscar comigo. Vem. Assume isso de uma vez. E vem ser feliz. O passado é aprendizado, o presente nosso aliado e o futuro há muito traçado.
Ele disse tudo isso por saber que ela gostaria de saber.
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Estas músicas dizem tudo: Eu quero sempre mais – IRA! / Parece castigo e Sinto falta desse amor – Hugo Pena e Gabriel / Eu e você e Trancada – Ana Carolina / Sete cidades e Maurício – Legião Urbana / Sem você e Meu eu em Você – Victor e Léo / São tantas coisas e A mulher em mim – Roberta Miranda

Que amor é esse

Que amor é esse
Que foi tão falso
E ao mesmo tempo verdadeiro
Que foi mais um
E ao mesmo tempo é o primeiro
Que amor estranho
Existe no teu coração
Que amor é esse
Que foi tão breve
E ao mesmo tempo tão profundo
Que fez de mim
O ser mais livre desse mundo
Intimidade que acabou em solidão
Que amor é esse
Que me suplica, me procura
E me rejeita
Minha dose de loucura mais perfeita
Promete tudo e nunca faz o que falou
Que amor é esse, que droga é essa
Que domina meus sentidos
Nos encontramos e ficamos mais perdidos
E sem nós dois eu não encontro a solução
Que amor é esse que é capaz de até morrer por mim
Como é que pode ser tão puro e tão vulgar assim
Que me faz bem e me faz mal,
Como é que eu sou capaz, de te odiar
E te querer cada vez mais.

Roberta Miranda

Música nova

Queria te contar
Certas histórias de saudade e dor
Queria lutar uma luta desigual
Prá amanhã já tenho planos a realizar
Tenho vontades e desejos
Eu já sei o que acontece
E mesmo que o mundo parasse e caísse sobre minha cabeça
Você saberia o que eu iria te contar

Consegui explicações muito certas e verdadeiras
Nesse mundo confuso e às vezes sem explicação
E mesmo que você quisesse aparecer
O tempo dirá se existe razão de ser
Você fez uma simulação dolorosa e sem sentido
Que provocou uma dor insuportável,
Você não viu
E mesmo distante
Você saberia o que eu iria te contar

Amanhã eu sei o que vou encontrar
Eu já sei,
Mas será que você percebe o que fez em mim
Por não suportar essa pressão do mundo aí fora?
E mesmo que isso aconteça
Você saberia o que eu iria te contar
Você saberia

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Hipótese ou Verdade...

Palavras, gestos, sentimentos...

Palavras, são só palavras
Gestos, já são outras histórias
Por tempo acreditei que com o amor ninguém podia
Uma força maior que tudo
Um sentimento indestrutível
Enganei-me
E a dor aumenta

Afirmei que quando duas pessoas nutrissem o mesmo sentimento
Puro, intenso
Era impossível renunciá-lo
Enganei-me
E a dor aumenta

Quase completando 36
Percebo que regredi aos 16
Incompreendendo o mundo
Questionando as vontades da vida
Querendo morrer

Enganei-me?
Fui enganado?
Não importa
A dor só aumenta

Queria arrancá-la de mim
Por um minuto queria não pensar
Não queria sentir
Não queria existir
Essa dor aumenta

E por mais que tudo isso embrulhe minha mente
Ainda assim
Vem essa vontade louca de te beijar
De te querer
De esquecer que existe mundo
Universo
E essas coisas de finitude humana

Sentimento adolescente?
Sei não
Se tenho vontade de desintegrar-me
Maior é meu desejo
De te amar eternamente,
Como hoje, ontem e sempre
O que não consigo evitar

Enganei-me?
Ou estou me enganando?
Ela disse que renuncia
Isso é loucura dela
E não é vontade minha

Sobre a gripe do porco

Entre opiniões da mídia, dos amigos, dos colegas, dos conhecidos, tenho a sensação que a grande mídia tenta passar um estado de “Deus nos acuda” com a nova gripe A (H1N1).
Também tenho para os meus botões que é mais uma daquelas lendas do enigmático mundo científico, onde sonhos de novas descobertas e a fome de lucros e da acumulação de riquezas andam desproporcionalmente juntas, pendendo muito mais para a segunda. Mas isso é outra história.
Mas ficar anunciando a todo instante os números de pessoas infectadas e de mortos, suspender aulas e estabelecimentos públicos, usar máscara indiscriminadamente, só faz causar pânico nas pessoas e precarizar ainda mais o serviço público de saúde.
Parece-me claro que se fizermos uma campanha - intensiva, como a que está sendo feito - para diagnosticar outra doença, esta teria resultados preocupantes. E também que o acometimento de doenças do trato respiratório é bem maior em baixas temperaturas.
Então para que o pânico? Por que a mídia e o governo não direcionam ações e recursos em campanhas de educação em saúde? Não é só a gripe A H1N1 – a gripe suína – que merece tanto cuidado assim.
As campanhas sobre higiene pessoal e cuidados para não contrair doenças deveriam ser uma constante. Afinal, existem tantas outras enfermidades facilmente transmissíveis que entopem os ambulatórios e hospitais desse Brasil sem que as pessoas se conscientizem de certos cuidados.
Sem dúvida que outros motivos fundamentais como a falta de saneamento básico, recursos humanos e financeiros – sem falar da corrupção – degeneram nossa frágil saúde pública.
Mas se Deus tiver que nos acudir – e porque não livrar - que seja dessa gente hipócrita e gananciosa que domina tanto o produto dos estudos científicos quanto o dos meios de produção, incluindo aí o da comunicação.
Termino com duas frases que li no msn do Tio Siri: Quatro mil pessoas têm a gripe A e quase todo mundo quer usar máscara. 33 milhões têm Aids e quase ninguém quer usar camisinha.

Decisões...




Desejos

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu
Carlos Drummond de Andrade

Minha irmã é Bi-Campeã Pan-americana de Powerlifting!!!!!

Não teve recepção calorosa no aeroporto de Navegantes, com flashes disparando de todas as direções. Nem desfile em um caminhão do corpo de bombeiros. Muito menos uma festa com direito a entrega da chave da cidade e fogos de artifício.
Mas a bandeira e o hino tocado em Miami – Flórida/USA – no dia 07 de agosto, quinta-feira, foram do Brasil. E quando vimos o vídeo feito na minha sansung 7.0mp, mesmo tremido, rolou uma emoção.
Ana Rosa Castellain, minha querida irmã caçula, foi campeã no 12º Campeonato Pan-americano de Powerlifting, na categoria até 67kg. Além da medalha de ouro, a menina conquistou o título de Melhor Atleta Open Feminino. Em três movimentos – terra (192,5kg), supino (130kg) e agachamento (222,5kg – recorde Sul-americano) – ela levantou 545kg. É mais de meia tonelada.
O esporte Powerlifting – levantamento de potência ou peso – pode não ser famoso ou ter a importância de outros. Mas nós, da família, imaginamos toda a cena que envolve uma conquista esportiva internacional por uma atleta de uma cidadezinha qualquer: os flashes, o caminhão de bombeiros, os fogos que sempre acontecem em esportes tradicionais. Como é gostoso o sentimento, a alegria, toda essa energia que envolve uma conquista, quando isso acontece próximo da gente. Porque o que nos deixou felizes foi a realização de mais um projeto de Ana. Mais um sonho. Mais uma vitória. E ela merece o reconhecimento pela sua determinação, pela sua disciplina, pela sua “força de vontade”.
Agora ela é bi-campeã das Américas. Já havia conquistado em 2007, só que na categoria até 56kg. Também foi convidada para participar do Arnold Sports Festival 2010, que acontecerá no mês de março, na cidade Columbus – Ohio – USA.
Fala sério: tô fraco de irmã???

O menino perdido

Lenta infância de onde como de um pasto comprido cresce o duro pistilo, a madeira do homem. Quem fui? O que fui? O que fomos? Não há resposta. Passamos. Não fomos. Éramos. Outros pés, outras mãos, outros olhos. Tudo foi mudando folha por folha, na árvore. E em ti? Mudou a tua pele, o teu cabelo, a tua memória. Aquele que não foste. Aquele foi um menino que passou correndo atrás de um rio, de uma bicicleta, e com o movimento foi-se a tua vida com aquele minuto. A falsa identidade seguiu os teus passos. Dia a dia as horas se amarraram, mas tu já não foste, veio o outro, o outro tu, e o outro até que foste, até que te arrancaste do próprio passageiro, do trem, dos vagões da vida, da substituição, do caminhante. A máscara do menino foi mudando, emagreceu a sua condição enfermiça, aquietou-se o seu volúvel poderio: o esqueleto se manteve firme, a construção do osso se manteve, o sorriso, o passo, o gesto voador, o eco daquele menino nu que saiu de um relâmpago, mas foi o crescimento como um traje! Era outro o homem e o levou emprestado. Assim aconteceu comigo. De silveste cheguei a cidade, a gás, a rostos cruéis que mediram a minha luz e a minha estatura, cheguei a mulheres que em mim se procuraram como se a mim tivessem perdido, e assim foi sucedendo o homem impuro, filho do filho puro, até que nada foi como tinha sido, e de repente apareceu no meu rosto um rosto de estrangeiro e era também eu mesmo: era eu que crescia, era tu que crescias, era tudo, e mudamos e nunca mais soubemos quem éramos, e às vezes recordamos aquele que viveu em nós e lhe pedimos algo, talvez que se recorde de nós, que saiba pelo menos que fomos ele, que falamos com a sua língua, mas das horas consumidas aquele nos olha e não nos reconhece. Pablo Neruda

Se eu não te amasse tanto assim

Meu coração
Sem direção
Voando só por voar
Sem saber onde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas
Que hoje eu descobri
No seu olhar
As estrelas vão me guiar
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração
Hoje eu sei
Eu te amei
No vento de um temporal
Mas fui mais
Muito além
Do tempo do vendaval
Nos desejos
Num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração...
Paulo Sergio Valle / Herbert Vianna