Intermitente



...
Inverte a mente
Dormente
Em meio a tanto sofrimento
[faz tempo]
Que ontem não pude dormir
Luminária da saudade acesa
Queimando pele, coração
[pensamento]
Num presente latente
Todavia
Todo sempre
...

Quanto tempo eu tenho pra ficar?


...
Nem sei quanto tempo tenho
Mas ainda me pego a pensar
De querer te encontrar todo dia
Coisas simples de enamorar
Ingrato é o que é o destino
E essa mania de querer amar
Estou à deriva da paciência
[às vezes em marcha lenta]
Não sei onde fui parar
Quem ficou pelo caminho
Esqueceu de me avisar
O que eu tinha era só metade
Verdades a encontrar
...

Patuá na cesta básica

...
Desalinhado com o tempo
Desfaz-se em querer espontâneo
Soprando desejos profanos
[ignaros] órfãos incontroláveis
Em permanente desordem
[achados oniscientes] 
Sanguessugas iluminados
Carentes de atenção
Eterno caos: ação e reação
...

Subjetivando




...
Se tem sentido isso tudo
Não sei bem explicar
Só mesmo fazendo o caminho
Que se entende que há
Não sou pedra polida
Tenho veia idealista
Que só faz complicar
O que entendo da vida
Seduz e fascina: é flor primavera
Criação do verbo amar
...

Das Quatroletrinhas


Há uma profunda confusão
Entre o porquê e o senão
Uma imagem misturada [simples]
De uma mesma impressão
Pode ser sintonia fina
O que desatina noutro direção
Letras que talvez perturbem
Ou que aquecem o coração
Espontâneo é o termo da vida
Transgride [isola] a solidão

Resignação




...
Cai chuva, é o que ouço
Ainda tenho esta percepção
Vejo tudo o que me rodeia
Calado, com uma flor na mão
Quem pode predestinar caminhos
Sem saber das tormentas que virão
Sentir essa chuva cair
É meu privilégio desde então
...

Vou mesmo...

Problemas de comunicação

É nos dentritos ou nos axônios?
Danados neurotransmissores.
- acho que o problema está na fenda sináptica.
Um bom espaço para esconder alguma coisa.

Ou são problemas desses mediadores mesmo.

Categórico



...
Quero ver você cantar
Mostrar o que pode ser
Não quero meio amar
Nem quero isso ter
Que som tem um luar
Sem os olhos para ver
Nem sei o que falar
Sabes bem o que fazer
Vem depressa, vem cantar
Mostrar que pode ser
...

Quem será?

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Dobrei três esquinas, em direções contrárias
Pensamento avariado: sisudo, meio amargo
Contraste inerente aos desavisados
Perguntas são comuns em qualquer tempo
A compreensão relativa
Uma chegada, uma partida
De resposta esperada, não recebida
Me fale pra valer:
Você sabe a direção?
...

Utopia de uso tópico

...
Ergueste barreira, me contaram
Querendo guardar impróprio lugar
Quer sonho, passagem, afago
Semelhante acorde urbano
Encontrando eco por aí
...

O que podes dizer?

Quando você vem?
De verdade, quando é?
Já te espero há tanto tempo
Num instante, destempero
Sorumbático me percebo
Que ainda estou a desejar

Mas quando você vem?

Dia desses, de pé no sol
Ou com o costumeiro vento no rosto
Ainda esqueço-me de querer
Sem perceber que é impossível
Demasiada é essa vontade
Que você sabe muito bem

Mas então,
Quando é que você vem?

Da luz que sempre vem


 
...
Tem um vento sacudindo por aqui
Pensamentos remotos
De outonos febris
Reflexo dialético
Entre tantas contradições
Não tenho pressa de entender
Apenas apreço por viver
...

Enunciado

...
A boca é desejo
Coisa louca que alucina
[chama]
É proposta ousada, arriscada
De fala articulada
Charme que emana
Vivacidade
[delírio]
Faz da carne infinito
De olhar perdido
Todo pobre menino
...

Percepções

...
Na outra face, há dúvida
Olhar profundo, taciturno
Distante daquilo que ouve
De certos pares que perdeu
...
De caminhos cruzados
De outros vocabulários
Inquieta, inconstante
Que pergunta se entendeu
...
O pensamento não é falho
O olhar é que é embaçado
Eu conheço essa ausência doída
Com uma camada de orvalho
...

Da subjetividade



É tanta fissura
E a espera, tormenta
...
É sujeito alônomo
[feito ventríloquo]
Sempre eivado
De vários trejeitos
Alguns argumentos
E outros defeitos
[tão breves, eu penso]
...
Tem passagem marcada
Olhar amassado
De metade perdida
E uma outra, desencontrada
...

Interstício

Onde estará o pensamento
Nestes tempos sem tempo
De vida atribulada
Correria
Lembrando da essência
E de uma palavra não dita
Pensei
Sem pensar
Que talvez fosse ousadia
Desejo
Uma bela fantasia
Que por hora não sei contar
O que importa é que aprendo
Sempre atento
Tanto quanto escolho
Com esses movimentos
Que a vida dá

Refletindo sentimentos

...
Aqui da janela eu via
Um menino e sua agonia
Que da janela tentava
Ainda que tolhido
Empinar sua pipa
De seu quarto fechado
...
Tão pequeno desconhecia
Qualquer tipo de dor
Nem o que pela frente viria
Só aquela agonia
De querer sentir a vida
Ver sua pipa voar
Brincar de alegria
...

E não paro de pensar...


...
Soube de uma coisa.
É abominável.
Um atentado.
Violência.
Abuso.
E por não querer fazer pior
Comecei a morrer.
...

Uma gestação



...
A alma carrega
[esconde] sentimentos
Acontecimentos [marcas]
Que fazem enlouquecer
...
Não julgar é essencial
Exercício fundamental
Compreensão
...
Atitudes [reações]
São condicionantes da história
Construção humana
[memória]
...

Pertencimento


...
Será que hoje conseguirei dizer
Sem palavras, olhares
Nem gestos que já conheces bem
Que esse tempo é só graça
Nunca impede, só passa
E diz tudo o que convém
Que o desejo é inevitável
O argumento irrefutável
Nessa história que não tem fim
É muita ternura
Vida tão pura
Impossível de sair de mim
...

Onde foi...

Estas letrinhas foram publicadas no Blog Contando até 1000. Um projeto coletivo, com 7 blogueiros, um por dia. Mas, por decisão pessoal, desliguei-me dele. Foram 4 publicações. Uma bela experiência. Mas quero ficar só por aqui. Agradecimento especial ao amigo Leonel.  

Indícios

...
Fração
Parte
Resquício
Tempero marcante
Sabor que fica
...
Malícia
Desejo
Anestesia
Corpo ardente
Não sofre
Mas grita
...

Um ponto de vista

...
Que dá saudade, dá
[nem me lembra]
Impossível de se fazer parar
É muito louco, intenso
Intempestivo
Verbo
No sentido de pensar
 ...
[pulsa de novo]
Minha verdade subjetiva
Lente objetiva
Opinião
Tudo é apenas a vista de um ponto
[ou não?]
...

Mais uma de outono


 ...
Tudo continua escolhido
[mas escondido]
...
Nesta Sábado, no Contando até 1000. 

Ajuntador de letras


...
Chamaram-me de poeta
[quanta gentileza]
Não sou e nunca fui
Em tempos de escassa harmonia
Se juntar letrinhas é poesia
Lembre-se que de um gesto se faz alegria
Que me apraz nessas horas de memórias
Eu que ainda sofro da mesma história
Sou apenas um ajuntador de letras
É pura gentileza sua
Nomear-me assim
...

Os olhos do tempo

...
Já faz tanto tempo
[eu bem me lembro]
Perdi-me nos teus olhos
E ainda hoje
[Nunca esqueço]
O encontro dos olhares
...
Agora, e ali na frente
[lembrando o passado, o futuro e o presente]
Compreendemo-nos só de olhar
...
Desafio a memória
Nos olhos de outrora
Que mesmo calado
[suspiro, gemido]
Tenho tanto a dizer
Nessa mania de querer
[ti querer] tanto
Que nem sei quando devo me conter
...
Ainda olho aqueles olhos
Esquecendo que sempre lembro
Que tudo isso pouco importa
Ninguém bateu a porta
E tudo que virá
Já aconteceu
...
Há muito tempo
...

É só chuva lá fora


...
Daqui eu vejo um céu cinza
Tem chuva, tem friagem
Tem gritos de alegria
E de coragem
Em algum lugar alguém chora
Chora por não aceitar quem é
[maravilha que é]
Tem chuva lá fora
E eu não vou embora agora
Não agora
[e depois, nunca longe]
Calma, não chora
É apenas chuva lá fora
...

Metafísico


...
Fico aqui
A espera da tua ligação
De um senão, e de um talvez
Me pego nos pensamentos
E nas lembranças futuras
E mesmo que distante
Sinto-a tão perto, tão íntima
O indisfarçável sorriso no rosto
Sensação do que é bom e que completa
E assim fico aqui, esperando teu sorriso
E lembrando do que será daqui pra frente
Sem senão, nem talvez

...

Meia Hora

Meia hora atrás
Pensava como seria
Se ao final do dia
Eu pudesse te ver
...
Meia hora atrás
Relendo a poesia
Fiquei quietinho
Precisando crer
...
Meia hora atrás
Olhando a fotografia
Pensava que um dia
Eu pudesse te ter