Ajuntador de letras


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Chamaram-me de poeta
[quanta gentileza]
Não sou e nunca fui
Em tempos de escassa harmonia
Se juntar letrinhas é poesia
Lembre-se que de um gesto se faz alegria
Que me apraz nessas horas de memórias
Eu que ainda sofro da mesma história
Sou apenas um ajuntador de letras
É pura gentileza sua
Nomear-me assim
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Os olhos do tempo

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Já faz tanto tempo
[eu bem me lembro]
Perdi-me nos teus olhos
E ainda hoje
[Nunca esqueço]
O encontro dos olhares
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Agora, e ali na frente
[lembrando o passado, o futuro e o presente]
Compreendemo-nos só de olhar
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Desafio a memória
Nos olhos de outrora
Que mesmo calado
[suspiro, gemido]
Tenho tanto a dizer
Nessa mania de querer
[ti querer] tanto
Que nem sei quando devo me conter
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Ainda olho aqueles olhos
Esquecendo que sempre lembro
Que tudo isso pouco importa
Ninguém bateu a porta
E tudo que virá
Já aconteceu
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Há muito tempo
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É só chuva lá fora


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Daqui eu vejo um céu cinza
Tem chuva, tem friagem
Tem gritos de alegria
E de coragem
Em algum lugar alguém chora
Chora por não aceitar quem é
[maravilha que é]
Tem chuva lá fora
E eu não vou embora agora
Não agora
[e depois, nunca longe]
Calma, não chora
É apenas chuva lá fora
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Metafísico


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Fico aqui
A espera da tua ligação
De um senão, e de um talvez
Me pego nos pensamentos
E nas lembranças futuras
E mesmo que distante
Sinto-a tão perto, tão íntima
O indisfarçável sorriso no rosto
Sensação do que é bom e que completa
E assim fico aqui, esperando teu sorriso
E lembrando do que será daqui pra frente
Sem senão, nem talvez

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