Objeto-homem




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Ela censura o amor
Não posso dizer nada
Por mais que sinta desejo
Prefere ficar surda
[só sexo]
Mais nada
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Alforrie-se



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Se algum dia
Lancei cordas a te prender
Que isso seja desfeito
No que me diz respeito
É justo, preciso e direito
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Encíclica para o amor próprio





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Urge fazer um roteiro
Para que meus pensamentos
Não tenham vida própria
E acabem com minha própria vida
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Terapia à base de Zeca Baleiro



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Não sei mesmo
Nem imagino o que pode ser
Escuta só:
É tão verdade
E o que fazer com ela
Nem mesmo sei o quê
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Eu
Você
Fogo
Lenha
[sem mais porquês]
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Confissão

Não sei o que fazer
Nessas horas de espera
Nem mesmo me encontro
Perdido em pensamentos
Fraquezas e medos
É só instinto
Coisa animal
Consome a carne
Adormece a mente
Razão que não se explica
Puro egoísmo
[confortável não é?]
Para estes meus caprichos
[tão meus quanto teus]
Ter-te quando sozinho
Em horas cortantes
Em noites apartadas
És a imagem
Do desejo perfeito
Que aquece a alma
Do quero e não quero
Desassossegando o que sou

Reincidência


 

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Minha vida passa por mim
Perplexo, percebo enfim
Que pergunta certa
Nunca tem fim
E mesmo assim
Escuto calado
Daquele jeito:
Sisudo, armado
- Quando é que se diz sim?
Tem convite pra felicidade
Tenho medo, é verdade
Só não posso desistir
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